Justiça para Ihor Homenyu
Para: Orgãos de Justiça
Ihor Homenyuk era um cidadão ucraniano de 40 anos, que foi detido pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, no Aeroporto de Lisboa. Foi posto numa sala durante 15 horas manietado com fita-cola e algemas. Um dos enfermeiros que assistiu Ihor avisou os inspetores do SEF de que, “face à sua condição”, o homem precisava de cuidados médicos e devia ser levado a um hospital, o que acabou por não acontecer. 6 horas depois, estava morto.
Segundo a descrição que o enfermeiro fez à Polícia Judiciária (PJ), Ihor esteve 15 horas preso numa sala e estava assustado: de cada vez que o enfermeiro se aproximava para lhe administrar medicamentos, Ihor protegia a face, que na altura já revelava uma escoriação no lado direito, com os braços. Além disso, tinha uma das mangas do casaco descosidas e tentou por várias vezes seguir o enfermeiro para fora da divisão.
Questionado pela PJ sobre se Ihor Homenyuk representava ou não uma ameaça, o mesmo enfermeiro respondeu que não lhe pareceu que o ucraniano fosse tornar-se violento.
No Observador de 1 de Abril, Sónia Simões e Kimmy Simões escrevem sobre as provas recolhidas pela PJ: «Ucraniano esteve fechado numa sala, após ter sido brutalmente agredido por três inspetores do SEF, durante 8 horas, segundo as provas recolhidas pela PJ. E foi encontrado já morto.» Continuam: «O corpo de Ihor Homenyuk, o ucraniano assassinado no aeroporto de Lisboa, apresentava tantos hematomas e tantos sinais de ter sido barbaramente espancado que quase não seria necessária uma autópsia para perceber qual tinha sido a causa da sua morte.» Apesar disto, o médico que passou o óbito não viu agressões e deu-a como morte natural. Auto de óbito do SEF também não refere qualquer lesão.
Os três inspetores foram entretanto detidos e encontram-se, desde o início de abril, em prisão domiciliária, por causa da pandemia de Covid-19.
Queremos que os inspetores envolvidos sejam justamente punidos pela negligência brutal que tirou a vida a este homem.