Pelo boicote ao Campeonato do Mundo nos EUA por razões de decência democrática*
Para: FIFA, FPF, UEFA, FIFPRO e Patrocinadores
Se houvesse um mínimo de decência no futebol, este Campeonato do Mundo não acontecia nos EUA. E, acontecendo, não teria federações nem jogadores a fingir normalidade, como se o contexto político fosse irrelevante.
O futebol gosta de se apresentar como “apolítico”, mas isso é uma farsa antiga. Sempre que há dinheiro, contratos televisivos e patrocinadores, os princípios ficam à porta do estádio. Foi assim noutros mundiais e volta a ser agora.
Participar num Campeonato do Mundo nos Estados Unidos, neste momento histórico, é aceitar ser figurante numa operação de propaganda. É validar um país que normaliza o autoritarismo, o desprezo pelo Estado de direito, a perseguição política e a instrumentalização do desporto como espetáculo de poder.
As federações sabem isto. Os jogadores sabem isto. Fingir ignorância já não cola.
Há sempre exceções, claro. Se alguém quiser ir, que vá sozinho. O Cristiano Ronaldo, por exemplo, amigo declarado de Trump, podia perfeitamente jogar sozinho no salão de baile, com câmaras, patrocinadores e aplausos encenados. Ficava tudo coerente.
O resto do futebol devia fazer o que raramente faz: recusar. Dizer não. Ficar em casa.
Esta petição apela às federações, aos jogadores e às instituições desportivas para que assumam uma posição clara e recusem participar num Campeonato do Mundo usado para branquear práticas políticas incompatíveis com os valores que o futebol diz representar.
O futebol não é neutro. Nunca foi. A escolha é simples: ou serve de figurante ao poder, ou tem dignidade.
Assinar esta petição é dizer que há linhas que não se cruzam: nem por dinheiro, nem por audiências, nem por troféus.
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