Todos pelo Bairro do Castelo, todos pela oficina do Batista!
Para: Câmara Municipal de Castelo Branco
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco,
Exmas. Senhoras e Senhores Vereadores da Câmara Municipal de Castelo Branco,
Exmos. Deputados da Assembleia Municipal de Castelo Branco,
Nós, abaixo-assinados, albicastrenses, moradores e amigos do Centro Histórico de Castelo Branco (Bairro do Castelo), vimos por este meio manifestar a nossa profunda preocupação com o processo de abandono e descaracterização do nosso centro histórico. O nosso Bairro do Castelo está a definhar! A cada estabelecimento encerrado, a cada artesão expulso, perde-se um pedaço da identidade coletiva e do lugar. A especulação imobiliária e a anunciada gentrificação, já verificadas noutras cidades europeias e nacionais, vêm esvaziar os centros histórico do seu melhor capital ativo: aqueles que neles moram e trabalham.
Neste contexto de declínio, o mestre marceneiro Jorge Batista, na sua oficina sempre de portas abertas à comunidade, tem sido um farol de resistência, um verdadeiro guardião da memória e da identidade cultural de Castelo Branco. A sua oficina na rua do Relógio é mais do que um local de trabalho; representa um espaço de criação, partilha e tradição que atrai visitantes, inspira jovens e mantém viva a herança artesanal da nossa região. Quem o conhece sabe que ele é mais do que um marceneiro; é um artista, um vizinho, um amigo, uma pessoa sempre disponível para ajudar o próximo. É este valor humano que a própria Câmara reconhece com a recente atribuição da “Medalha de Ouro da Cidade” e ao levá-lo por este mundo fora, como um embaixador da cultura e identidade regional.
No entanto, a contradição é cruel: promovemos o nosso melhor lá fora, enquanto definha aqui dentro.
Atualmente, o mestre Jorge Batista vê-se obrigado a encerrar a sua oficina – legado material e imaterial do seu pai – e está a ser expulso do centro histórico de Castelo Branco, resultado da especulação imobiliária e da inação da Câmara Municipal.
Se isto acontecer, Castelo Branco não perde apenas um negócio de gerações; dá um “tiro no pé” no seu próprio futuro. Como podemos ser cidade criativa da UNESCO na categoria Artesanato e Artes Populares, se deixamos um dos nossos mais notáveis artesãos, o único no bairro do Castelo, ser despejado?
O encerramento da oficina do mestre Jorge Batista significa a perda de um ponto cultural dinâmico do centro histórico e de um símbolo genuíno de resistência e perseverança do Bairro do Castelo e de Castelo Branco.
Não podemos permitir que o interesse económico de alguns apague a identidade de todos. Não podemos ser uma cidade de portas abertas para turistas e de portas fechadas para os seus próprios habitantes e trabalhadores.
Por isso, apelamos à Câmara Municipal de Castelo Branco que:
1. Valorize efetivamente o legado do Mestre Jorge Batista, inscrevendo o seu ofício no Inventário Municipal de Património Cultural Imaterial e instituindo um programa de apoio que retribua a sua notável contribuição, passada e presente, para identidade do património de Castelo Branco.
2. Atue de imediato para garantir que o mestre Jorge Batista pode continuar o seu trabalho no centro histórico, utilizando todos os mecanismos ao seu dispor para o manter na sua oficina ou para lhe proporcionar um espaço municipal alternativo onde possa exercer a sua profissão, por comodato ou renda social.
3. Crie um plano estratégico de combate à desertificação humana e degradação patrimonial e cultural do centro histórico, protegendo os seus habitantes e não os expulsando.
4. Crie um programa de apoio efetivo que proteja os nossos artesãos/artistas e o comércio tradicional, defendendo-os da especulação imobiliária.
O Jorge Batista dedicou a sua vida a preservar a nossa identidade. Agora, é a nossa vez de darmos forma ao seu futuro!
Assim, apelamos a todos os cidadãos que defendem uma cidade justa, inclusiva e culturalmente rica a assinar e partilhar esta petição, para que o centro histórico não perca a oficina do mestre Jorge Batista, nem mais nenhum outro espaço de criação e identidade no coração de Castelo Branco.
Com esperança e determinação, bem hajam.