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NÃO AO ENCERRAMENTO DAS GALERIAS LUMIÈRE

Para: Câmara Municipal do Porto; sociedade civil, responsáveis privados envolvidos, todos os que amam o Porto e todos os portuenses

Há uma preocupação crescente a fazer-se sentir entre os cidadãos que habitam o Porto, perante a ameaça de serem remetidos para os silenciosos recantos das memórias individuais todos os locais mágicos que fazem parte da sua memória colectiva.

Lentamente vão desaparecendo os símbolos da genuinidade, pertença, singularidade, identidade, património material e humano, a alma do Porto.

Sente-se a tristeza de Sara Barros Leitão, na sua "Carta de amor às Galerias Lumière…": "Fechou a última creche pública do centro histórico, fechou o Sr. António 'Farinheiro', demoliram o quiosque amarelo - mais um hotel de luxo, mais um apartamento T0 Luxury, vai construir-se um El Corte Inglês na Boavista, os velhos assinam contratos que não entendem e que os expulsam das suas casas, aprovam-se obras de reabilitação que só conservam a fachada, Wine and Tapas very typical, mandam a Vandoma para longe - fecham tudo e não deixam nada…"

Disfarçada pela promoção de eventos, eventos e mais eventos, por um lado, e por outro lado pela histeria do turismo desenfreado que leva à proliferação da construção de hotéis, AL e outros espaços dedicados ao sector, compra de prédios por privados, sobretudo no centro histórico portuense, ou à adaptação para alojamento e empreendimentos turísticos, na voragem especulativa e despudorada que tudo engole e onde impera a prioridade do lucro imediato, tendo em vista os turistas como principal motivação, ao mesmo tempo que se vai intensificando a gentrificação de forma galopante e avassaladora.

Nas palavras do nosso mais notável arquitecto a nível nacional e internacional, Álvaro Siza Vieira, começa a sentir-se "um desequilíbrio entre a habitação e o turismo excessivo…", e se é razoável pensar que "o desenvolvimento económico da urbe pode funcionar como força motriz, a aposta é pouco segura. Tem de haver restrições.",
E nas palavras de um dos muitos cidadãos portuenses que assim exprimem a sua revolta e indignação, há um grito surdo, cada vez mais ensurdecedor, que atravessa a sociedade portuense: "Que Porto é este que se vende aos grandes interesses económicos e a uma hotelaria desenfreada? Que Porto é este que expulsa os seus habitantes do seu centro histórico e o oferece de bandeja aos turistas, que o fotografam e se vão embora? Que Porto é este onde os portuenses começam a sentir-se estrangeiros na sua cidade? Que Porto é este que se descaracteriza a cada segundo, com restaurantes ditos gourmet, AL e hotéis porta sim, porta sim?..."

As Galerias Lumière são o mais recente exemplo do atentado à memória, à história, à cultura, ao património da cidade. Com a sua traça arquitectónica, o seu carisma de centro comercial único em escala no Porto, a sua memória do cinema onde se inaugurou em 1978 o primeiro caso de salas duplas, a sua localização no Porto histórico, cultural, artístico, social, este espaço emblemático não pode ser transformado, como está a ser congeminado, em qualquer empreendimento turístico ou mais um hotel (o oitavo nas ruas que o circunscrevem - José Falcão, Oliveiras e Sá de Noronha, e mais alguns em Mártires da Liberdade), com o único propósito de lucro imediato,
Em defesa da arte, da cultura, da cidadania, da história, do património, de tudo aquilo que nos torna mais humanos, não se pode deixar morrer as Galerias Lumière, que pertencem à nossa cidade, e albergam lojas que são exemplo do comércio tradicional que tanto se quer defender, como marca identitária da cidade.

Às Galerias Lumière deverão de novo acorrer, para admirar e desenhar os seus múltiplos planos arquitectónicos e estéticos, grupos de alunos, estudiosos e professores de Belas-Artes e Arquitectura, para os seus trabalhos académicos ou de investigação e objecto de estudo.
O público deverá continuar a visitar, com a certeza de um atendimento personalizado de excepção, os pequenos negócios independentes que aqui estão instalados, como a Poetria, primeira e única livraria de poesia e teatro do Porto e do país, a Flores e Arte, florista incansável com clientes fiéis em todo o quarteirão e fora dele, a Wise, tabacaria com o maior e mais diversificado de revistas estrangeiras de grande prestígio e que não se encontram em mais nenhum outro local, a Cássio, loja de artigos de grande originalidade para presentes e usos multifacetados, a Out of Lunch, com roupas e acessórios de marcas mundiais de referência...
Eles merecem outro destino, que passa pela implementação de um projecto com inequívoca viabilidade económica e sustentabilidade financeira garantida, como já foi provado em curtas mas eficazes experiências anteriores, que só não tiveram êxito continuado por razões absolutamente alheias à vida das Galerias e dos seus lojistas.

Um projecto que inclua os comerciantes residentes que ali têm os seus negócios e postos de trabalho e para os quais será impossível mudarem-se para outros espaços pelos elevados preços dos arrendamentos actualmente praticados.
Esse projecto é possível e sustentável, como sempre foi, e só não o é actualmente por terem sido cometidos, ao longo do tempo, alguns erros graves, para além da falta efectiva de investimento no espaço, que impediram o seu progresso e desenvolvimento, como o encerramento das duas salas de cinema A e L em 1997, para se converterem num parque de estacionamento subterrâneo, ou a ocultação de uma bela calçada portuguesa com a instalação de uma "praça de alimentação" que dividiu o centro em 2 áreas, tornando "invisíveis", quase "inexistentes aos olhos dos visitantes das lojas 50% dessas áreas...
É possível a transformação e revitalização deste espaço e torna-lo apetecível para ser visitado e procurado pelos portuenses, turistas e público em geral, que aqui encontrarão conforto, bom acolhimento, convívio e partilha de conhecimento e encontros felizes.

É possível, assim o queiram os investidores com legitimidade e capacidade financeira, visão estratégica de futuro, criatividade, apelo aos criadores, designers artistas, arquitectos através de um "concurso de ideias" para as Galerias, torna-las num lugar de excelência, requinte e cosmopolitismo, com lojas sedutoras, um bom programa lúdico-cultural, que captem o interesse dos que aqui se deslocam para desfrutar, conviver, consumir.
É possível um tal projecto, que tenha em conta as necessidades e tendências da cidade e o direito à vida das empresas e pessoas que ali permanecem e querem continuar a permanecer.

Ouçam-se as vozes, (entre muitas mais) da cidade:

"Espero que haja lucidez e que as Galerias Lumière se mantenham vivas, como bastião do que já foi o Porto noutras épocas e do que ainda é no presente: um Porto literário, de cultura, de lazer activo, de associativismo, através de um plano de acção directo, para impedir o seu desaparecimento…"

"Estamos a deixar vulgarizar o que nos identificava, estamos a deixar que nos confundam com qualquer outro sítio ou lugar, estamos a deixar que a saudade nos perturbe no futuro. E se há coisa de que não queria sentir saudades é deste lugar e espaço onde estou e quero ficar…"

"Queremos manter as nossas livrarias, os nossos cafés onde estudamos, debatemos e fomos felizes, queremos os nossos cantos, os nossos becos, a nossa Invicta, melancólica, nobre, poética, inspiradora, assim tão bela e tão autêntica…"



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