Pela recondução de Rita Rato Fonseca no cargo de diretora do Museu do Aljube Resistência e Liberdade
Para: Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Carlos Moedas, Exmo. Sr. Presidente do Conselho de Administração da EGEAC, Dr. Pedro Moreira,
Rita Rato, atual diretora do Museu do Aljube Resistência e Liberdade termina o seu mandato no final do mês de Março de 2026 e, de acordo com o comunicado do conselho de administração da EGEAC, presidido por Pedro Moreira, não será reconduzida.
Dada a existência do Conselho Consultivo espanta-nos que este não tenha sido consultado e tenha sido surpreendido por esta notícia.
Nomeada em julho de 2020 para o cargo pelo executivo da Câmara Municipal de Lisboa, foi reconduzida em 2023 para um novo mandato que agora termina.
Os signatários têm acompanhado o trabalho exemplar que Rita Rato desenvolveu no Museu do Aljube, na preservação da memória histórica, atuando de forma integrada nos âmbitos cultural e educativo.
Licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa e autora de conteúdos pedagógicos na área da Educação para a Cidadania e Desenvolvimento, e tendo iniciado as suas funções durante a pandemia do Covid-19, Rita Rato imprimiu grande dinamismo à frente do museu, quer promovendo debates, recebendo escolas – 940 escolas e mais de 45 mil estudantes – e outras instituições; recolhendo um acervo áudio (e audiovisual) de biografias de 45 democratas e ex-presos políticos; realizando ações de formação de 2534 educadores; promovendo exposições itinerantes em mais de 170 espaços culturais e educativos no país e no estrangeiro; recebendo 153 iniciativas promovidas por outras entidades; editando 8 livros; criando um arquivo digital de mais de 14 mil documentos disponíveis online; aumentando exponencialmente o número de visitantes, que atingiu mais de 270 mil entradas.
Ao longo destes seis anos foi responsável por 21 exposições temporárias, das quais destacamos "Mulheres e Resistência — Novas Cartas Portuguesas" (2021), "Ato (DES)colonial" (2022), "Adeus Pátria e Família" (2022), “Antes de ser independência foi luta de libertação” (2026), e “Elas tiveram medo e foram" (2026).
Rita Rato, ex-deputada da Assembleia da República, é também autora de livros e materiais educativos, incluindo estudos sobre mulheres e resistência em Portugal. O seu trabalho de investigação académica, prática política e curadoria cultural, além de coordenação de conteúdos museológicos, preserva uma memória histórica de Portugal de que o país deve continuar a fruir.
Consideramos esta resolução do Conselho de Administração da EGEAC, e implicitamente, da Câmara Municipal de Lisboa, um ato político agressivo, com um carácter de limpeza ideológica que os autores da decisão não tiveram sequer o cuidado de mascarar.
Pelo exposto, os signatários exigem explicações necessariamente públicas sobre as razões que levaram a este afastamento infundado.
Os abaixo-assinados solicitam ainda ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e ao Conselho de Administração da EGEAC, que Rita Rato seja reconduzida para mais um mandato à frente do Museu do Aljube Resistência e Liberdade a fim de prosseguir o importantíssimo e extraordinário trabalho que tem feito na divulgação da memória, respeitando a igualdade de direitos de todas as classes sociais no usufruto da história e da cultura, pela democracia e pela liberdade.
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