Pela Não Participação da Seleção Nacional Portuguesa na Copa do Mundo da FIFA 2026™
Para: Exmo. Sr. Presidente da Federação Portuguesa de Futebol
Os cidadãos abaixo-assinados, no pleno exercício dos seus direitos cívicos e políticos, vêm, por este meio, apresentar a presente Petição Pública, com vista a solicitar que a Federação Portuguesa de Futebol promova e defenda a não participação da Seleção Nacional Portuguesa na Copa do Mundo da FIFA 2026, enquanto forma de protesto político, ético e institucional.
I. Enquadramento Geral
A Copa do Mundo da FIFA 2026™ será realizada, em parte significativa, nos Estados Unidos da América, país cuja atual orientação política e institucional tem vindo a gerar crescente preocupação no espaço europeu e internacional.
As recentes posições e políticas assumidas pela Administração norte-americana, em particular as associadas ao ex-Presidente Donald Trump, têm sido amplamente criticadas por organizações internacionais, académicos, juristas e entidades da sociedade civil, por colocarem em causa princípios fundamentais do Estado de Direito democrático, das liberdades civis, dos direitos humanos e do multilateralismo.
II. Portugal enquanto Democracia Liberal
A República Portuguesa funda-se nos valores da dignidade da pessoa humana, da liberdade, da igualdade, da justiça e do respeito pelos direitos, liberdades e garantias fundamentais. Estes princípios não são meramente retóricos: constituem compromissos políticos, jurídicos e morais que vinculam o Estado e as suas instituições, incluindo aquelas que representam Portugal no plano internacional.
O desporto, e em particular o futebol, não existe num vácuo político ou ético. A Seleção Nacional Portuguesa é um símbolo do País, da sua identidade e dos valores que projeta para o mundo. A sua participação em competições internacionais tem inevitavelmente uma dimensão política e simbólica.
III. O Protesto como Forma Legítima de Expressão Democrática
A não participação da Seleção Nacional Portuguesa na Copa do Mundo da FIFA 2026™ não deve ser entendida como um gesto hostil contra os povos, atletas ou adeptos, mas sim como um ato político de protesto institucional, dirigido contra políticas e práticas que atentam contra:
- O respeito pelo Direito Internacional;
- A proteção efetiva dos direitos humanos;
- As liberdades civis e políticas;
- A cooperação leal entre democracias liberais;
- A estabilidade e segurança do espaço europeu.
A História demonstra que boicotes e recusas simbólicas podem constituir instrumentos legítimos de pressão moral e política, sobretudo quando os canais diplomáticos tradicionais se revelam insuficientes.
V. O Papel da Federação Portuguesa de Futebol
Reconhecemos que a Federação Portuguesa de Futebol é uma entidade de natureza desportiva. Contudo, a sua atuação não é neutra do ponto de vista ético e institucional. Ao representar Portugal em competições internacionais, a FPF participa também na construção da imagem externa do País.
Solicitamos, assim, que:
- A FPF assuma publicamente uma posição crítica e fundamentada quanto ao contexto político e institucional em que se realiza a Copa do Mundo da FIFA 2026™;
- A FPF promova, junto das instâncias nacionais e internacionais competentes, a não participação da Seleção Nacional Portuguesa como forma de protesto cívico e democrático;
- A FPF contribua para um debate público sério sobre o papel do desporto na defesa dos valores democráticos e dos direitos humanos.
V. Conclusão
Portugal, enquanto Democracia Liberal, não pode pactuar, por omissão ou silêncio, com políticas que representem retrocessos graves no domínio dos direitos, liberdades e garantias fundamentais.
A não participação da Seleção Nacional Portuguesa na Copa do Mundo da FIFA 2026™ constituirá um sinal claro, digno e coerente de que os valores democráticos não são negociáveis, mesmo quando estão em causa interesses desportivos, económicos ou mediáticos.
Nestes termos, solicitamos a V. Ex.ª que considere seriamente esta posição e que a leve ao debate interno da Federação Portuguesa de Futebol e às instâncias competentes, honrando o papel institucional e simbólico que a FPF desempenha na representação de Portugal.
Portugal deve estar presente no mundo — mas nunca à custa dos seus valores fundamentais.