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Retoma do desporto de Formação e das respectivas competições

Para: Exmo. Senhor Presidente da República; Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República; Exmo. Senhor Primeiro Ministro; Exmo. Senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto; Exmos. Senhores Chefes dos Partidos com assento parlamentar

Como Pais, Encarregados de Educação e demais interessados, sentimos que chegou a hora de juntar a nossa voz às diversas Federações desportivas, aos treinadores e a todos os outros agentes desportivos que pedem, sistematicamente, a retoma do desporto de Formação, nomeadamente as competições. Todos estes importantes setores da nossa sociedade continuam a ser ignorados, não obstante pretenderem apenas soluções para um problema que se arrasta desde Março de 2020, e que têm como principais prejudicados as nossas crianças, adolescentes e jovens, bem como todo um futuro no Desporto nacional.

Quando ouvimos o Exmo. Sr. Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. João Paulo Rebelo, em 13 de Fevereiro dizer: ”Se forem cumpridos os prazos de entrega das vacinas pelas farmacêuticas, e com a premissa que no verão grande parte da população já esteja vacinada, a expectativa é que o desporto possa estar em funcionamento mais ou menos em pleno a tempo de pensarmos começar a época desportiva [2021/2022] “, percebemos que o Desporto, em particular, o de formação, é relevado para segundo ou mesmo terceiro plano, mostrando claramente não haver qualquer estratégia nem intenção de retomar o desporto de formação, mesmo quando forem aliviadas as restrições deste novo confinamento.

Relembremos as palavras do Dr Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos, "Esta questão colocada é absolutamente essencial, que tem a ver com os benefícios do desporto naquilo que é a prevenção das doenças, na formação das pessoas, naquilo que é absolutamente essencial para o nosso equilíbrio interior, para o nosso equilíbrio naquilo que é o nosso trabalho e também para o desenvolvimento dos jovens. O desporto em si não me parece que tenha grandes problemas, não me parece que o desporto seja o local onde as infeções se estão a propagar. É preciso ter alguns cuidados, mas é importante manter estas atividades a funcionar, porque terminar com as atividades para os jovens é como as escolas, se começarmos a parar com essas atividades vamos ter muitos problemas globais, nomeadamente na área da saúde mental e no desenvolvimento das pessoas" (JN online, 30/10/2020).

A juntar-se a esta voz, o Dr. Carlos Neto, Professor Catedrático da Faculdade de Motricidade Humana de Desporto (in Publico, 01/11/2020) também salienta: “Neste momento, com a pandemia e o regresso das crianças à escola, toda a gente está preocupada com a questão da recuperação das aprendizagens e da saúde mental. Mas, desde Março até agora, ninguém falou sobre o que está a acontecer na saúde física das crianças. Temo que neste momento estejamos a criar uma bolha de profundo analfabetismo motor que vai ter grandes repercussões na saúde mental e na saúde física destas crianças no futuro.”

Nesse sentido, urge questionar o porquê dos nossos jovens atletas continuarem impedidos de praticar desporto, uma vez que abundam os estudos que determinam a imensidão de benefícios do desporto, quer em termos físicos, quer em termos psicológicos?

A própria OMS, que tem tido um papel preponderante durante esta pandemia, em Novembro de 2020, emitiu um documento sobre recomendações para atividade física, alertando para os perigos do sedentarismo (https://www.who.int/publications/i/item/9789240015128 ), documento esse que a própria DGS traduziu, evidenciando-o na sua página da Internet e que preconiza: “As recomendações são individualizadas para crianças e adolescentes (5 a 17 anos), adultos (18 a 64 anos), idosos (65 anos ou mais), mulheres grávidas e no pós parto, adultos e idosos com doenças crónicas (18 anos ou mais), crianças e adolescentes (5 a 17 anos) com deficiência e adultos (18 ou mais) com deficiência, e sublinham, de forma fundamental a importância de cada movimento.” O documento é explicito! Qualquer atividade física é boa… toda a atividade física conta… demasiado comportamento sedentário pode ser prejudicial à saúde!

Neste caso, só podemos perguntar: Porque a nível governamental se tomam medidas que vão em contrário a estas diretivas? Porque países, como a França, Inglaterra, Espanha, Itália, já retomaram as suas competições, mesmo com números altos de COVID 19 e Portugal não?

Como Pais, Encarregados de Educação e Cidadãos, estamos conscientes dos perigos associados à retomas das competições neste contexto de pandemia, mas também estamos conscientes de outros problemas associados à não realização de desporto por parte dos nossos filhos, tão ou mais prejudiciais a longo prazo que a COVID 19: sedentarismo, horas de ócio que facilmente poderão levar a casos de obesidade, a problemas de ordem psicológica, nomeadamente depressões e estados de ansiedade! Falamos de jovens que sempre estiveram habituados a fazer desporto, jovens que se começavam a apaixonar pelas distintas modalidades desportivas, pelo desporto e pelos seus benefícios. O Dr. Jorge Silvério, doutorado em Psicologia de Desporto pela Universidade do Minho, em declarações à Lusa refere a situação como “ (...) uma ‘montanha russa’ em termos emocionais”. Para este professor, “(...) há uma grande situação de incerteza desde o início da pandemia. Esta incerteza leva à ansiedade, a alguma confusão, a algum desapontamento, à exaustão e, nalguns atletas, até à frustração e à revolta, por não poderem fazer aquilo de que gostam”.

Sabemos, que nem todos os jovens têm paixão pelo Desporto. Mas, temos que admitir, enquanto sociedade, que é muito preocupante a perda de 172,991 jovens atletas federados entre a época de 2019/2020 e 2020/2021 (dados Jornal de Noticias de dezembro de 2020), nas diferentes modalidades. Todavia, no início da época de 2020/2021, ainda se inscreveram 47,744 jovens, que não obstante meses de paragem, não desistiram e retomaram os treinos, sujeitando-se a todas as regras impostas aos clubes pela DGS, sem perspetivas de quando poderiam retomar as competições, mas com a certeza de que não podiam abandonar os seus sonhos e projetos.

Mas, ainda que não se possam abandonar, também não se podem adiar indefinidamente!

Como pais devemos a todos os jovens respeito pelos seus sonhos, pelos seus projetos, pelas suas ambições e queremos mostrar que estamos com eles neste momento de desgaste psicológico. Principalmente com aqueles que mostraram paixão, coragem, resiliência e muita motivação em continuar, quando seria mais fácil desistir!

Vivemos numa época de incertezas, em que as decisões, mais do que nunca, devem ser ponderadas e pesadas, mas acreditamos que os nossos filhos merecem ter uma vida o mais normal possível, cumprindo todos os requisitos de segurança impostos pela DGS. Praticar desporto faz parte dessa normalidade e não havendo datas precisas para que esta pandemia termine, devemos enquanto sociedade aprender a viver com condicionamentos, mas permitindo que a vida avance. Cientes das dificuldades que todos enfrentamos, mas procurando diminuir as dificuldades que os nossos filhos enfrentarão no futuro!


Assim, e tendo em consideração que a própria Assembleia da República, aprovou uma resolução a 5 de fevereiro, na qual recomenda ao Governo, a adoção de “medidas com vista à retoma da prática desportiva e normalização gradual das competições em contexto de pandemia”, na qual pode ler-se no ponto 3: “Adote, de acordo com as normas sanitárias, medidas de incentivo à prática desportiva e à normalização gradual das competições, incluindo as camadas mais jovens e de formação e o desporto para deficientes.”, pedimos a Vossas Excelências que se foquem no problema destas crianças e jovens e que assim que este confinamento terminar e as suas atividades escolares presenciais reiniciarem, permitam também que o Desporto retorne à normalidade, o que inclui as competições desportivas nos diversos escalões de formação.


Com os melhores cumprimentos,



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