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Alteração das metas curriculares do 1.º ciclo

Para: Partidos Políticos, Governo, Comunicação Social


Eu Vânia Marisa Santos Azinheira com o cartão de cidadão 11203811, venho manifestar publicamente a total discordância relativamente às metas curriculares implementadas no 1º ciclo.

Os novos programas, assim como as suas metas, que foram aprovadas no despacho n.º 5306/2012, de 18 de abril de 2012, são uma atrocidade cometida contra as crianças que estão no ensino básico.

Metas Curriculares que nas suas notas introdutórias, se definem como organizadoras e facilitadoras do ensino, pois deveriam fornecer uma visão o mais objetiva possível daquilo que se pretenderia alcançar, permitindo que os professores se concentrassem no que era essencial e ajudando a delinear as melhores estratégias de ensino, tornaram-se motivo de preocupação, frustração e stress tanto para os professores, como para os alunos e os pais.

Devido a um programa curricular muito extenso, a matéria é dada em velocidade, os seus conteúdos não são apreendidos corretamente e muito menos consolidados.

Essa consolidação tem que ser feita em casa, através de trabalhos escolares, fichas que não tiveram tempo para acabar, trabalhos que chegam a demorar algumas horas, onde a ajuda dos pais se torna fundamental e onde por vezes os pais, por motivos vários, não conseguem ser suficientes, sendo necessário recorrer a ajuda externa, ajuda essa que há meia dúzia de anos era desnecessária no 1º ciclo e que tem custos económicos, tornando-a assim inviável para as crianças cujas famílias não possuem esse poder económico.

Numa sociedade onde a Educação deveria ser vista como pilar principal, a preocupação é com metas para "ficar bem", num panorama utópico. Está-se a hipotecar o futuro do país, estamos a criar crianças que não têm tempo para brincar ou para atividades lúdicas, que estão a ser pressionadas para aprender depressa e bem, crianças que se vão tornar frustradas, crianças que ainda agora começaram e já se sentem desmotivadas, sem gosto por ir à escola, e cada vez mais cedo apresentando sintomas de ansiedade, depressão e distúrbios de comportamento.

A educação das crianças deve implementar práticas pedagógicas compatíveis com o cérebro e as aprendizagens (Laura Erlauder), algo que eu, no acompanhamento do percurso escolar da minha filha, não vejo refletido, principalmente no programa de Matemática.

Não nos podemos esquecer que falamos de crianças na faixa etária dos 6 aos 10 anos, que irão adquirir as ferramentas necessárias, como a vontade e o gosto de estudar, de ir à escola e conseguir os melhores resultados, verificando-se, no ensino do 1º ciclo e com estas metas, estar-se a minar toda essa aprendizagem.

O problema destas metas curriculares já foi devidamente alertado, pelas associações de professores, principalmente pela Associação de Professores de Matemática em 2013, através de uma petição; foi com muito pesar ter visto que eles não conseguiram reverter esta implementação.

Receios que agora em 2015 se tornam claramente realidade, mas acredito que ainda se pode fazer algo para mudar, para que as crianças de hoje não se tornem adultos frustrados, por tão precocemente terem sido sujeitos a uma Educação desadequada.

Pelo exposto, solicita-se que:
• as metas curriculares para o 1º ciclo sejam reavaliadas em conjunto com os programas curriculares;
• e sejam devidamente alteradas em concordância com o desenvolvimento mental e cognitivo com a faixa etária em causa.

  1. Actualização #7 2ª Intervenção

    Criado em terça-feira, 30 de Junho de 2015

    Audição na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura Petição n.º 523/XII/4.ª Exm.ªs Senhoras Deputadas, Exm.ºs Senhores Deputados Queria começar por agradecer ao grupo de mães, pais e encarregados de educação aqui representados pela Vânia Azinheira, a Sandra Cunha e o Filipe Ricardo que, não só me disponibilizaram este tempo na audição como, acima de tudo, confiaram na Associação de Professores de Matemática e em mim própria para ocupar este tempo, apesar de nos termos acabado de conhecer há pouco mais de uma hora. No dia 8 de outubro de 2013 apresentei-me nesta Comissão na sequência do processo de aprovação das Metas Curriculares para a Matemática no Ensino Básico e posterior revogação do Programa de Matemática do Ensino Básico de 2007 (no último ano da sua generalização) e homologação de um outro programa, em 2013, do qual as Metas são parte integrante e, digamo-lo, quase exclusiva. Apresentei-me aqui como professora de Matemática e em nome de muitos professores de Matemática e outros professores – do 1º ciclo ao ensino superior – para quem o ensino da Matemática é parte essencial da sua tarefa educativa e profissional. Recordei na altura a evolução que em Portugal se vinha a fazer no âmbito do ensino da Matemática nos níveis não superiores nomeadamente na investigação em didática da disciplina e na formação inicial de professores nesta área, nas adaptações curriculares, com resultados positivos observados e avaliados. Princípios didáticos e metodológicos que passam por abordagens capazes de envolver os alunos em aprendizagens com compreensão e significado, contextualizadas, mais próximas da própria natureza da Matemática e, por isso, mais exigentes também, para quem aprende e para quem ensina e mais adequados às exigências atuais de uma educação matemática pertinente e de qualidade. Queria reforçar este aspeto para contrariar alguns mitos que foram perpassando pela opinião pública e que não correspondem de todo à realidade, limitando as minhas observações apenas às questões curriculares, sem me referir a outras medidas que têm vindo a degradar o ambiente de ensino e aprendizagem nas nossas escolas. Primeiro mito, confundir didática e investigação em educação com algo lúdico, apenas pertinente na esfera da motivação dos alunos. Nada mais errado. A didática ocupa-se com as questões da aprendizagem e da compreensão. A pergunta, como se podem ensinar os conteúdos para que as crianças aprendam, tem respostas orientativas baseadas na investigação e não depende do mais ou menos jeito ou imaginação que os professores possam ter. Reforço por isso aqui a importância incontornável e decisiva da Didática como área de estudo e investigação para chamar a vossa atenção para o facto de não ter havido ninguém desta área envolvido quer nos programas de Matemática (e Metas Curriculares) do ensino básico de 2013, quer no posterior programa de Matemática A do ensino secundário de 2014. Segundo mito, até agora as crianças não aprendiam nada de significativo em Matemática, não sabiam fazer contas, usavam a calculadora de uma forma indiscriminada e descontrolada, não consolidavam nem generalizavam aprendizagens, não era dada importância à memorização. Começo por desmentir categoricamente esta última afirmação: é claro que as crianças sempre aprenderam de memória factos e conhecimentos matemáticos, desde a simples tabuada a resultados mais elaborados; o que acontece é que mesmo para memorizar, é de grande ajuda a prévia compreensão ou pelo menos a interiorização de procedimentos associativos que facilitam o recurso à memória e ao memorizado. Nunca na aula de Matemática a calculadora foi utilizada para substituir cálculos que as crianças deveriam dominar; a calculadora, como aliás a tecnologia de uma maneira geral, deve ser incorporada na aula de Matemática, antes de mais porque vivemos num mundo sob domínio tecnológico e ignorá-lo torna a escola ainda mais arcaica e desenraizada e depois porque, como instrumento, permite trabalhos de sala de aula mais desafiantes, complexos e reais. A atividade exploratória de descoberta dos alunos, a metodologia de resolução de problemas que desapareceu nos atuais programas, numa disciplina como a Matemática, é fundamental para que os alunos possam incorporar, com os conteúdos, métodos próprios desta ciência. Desta forma os alunos serão levados de uma forma mais consistente a gostar, a aprender e a confiar na suas “capacidades matemáticas”. Terceiro mito, os programas de 2013 e 2014 dão maior liberdade aos professores. Este argumento é tão falacioso que se torna insultuoso: desde quando os programas anteriores, ao incluírem diversas sugestões metodológicas e de avaliação – que os programas de agora omitem totalmente – atentam contra a liberdade dos professores? Dar mais sugestões, propor coisas diferentes do que foi a nossa forma de aprender e de ensinar, limita a liberdade? Não será o contrário? Com mais possibilidades no nosso horizonte não aumentará o nosso grau de liberdade? Os atuais programas é que impõem, não só uma visão única das abordagens matemáticas como, pela sua extensão, não permitem mais do que o debitar matéria e andar para a frente independentemente da situação dos alunos. Quarto mito, estes programas são mais exigentes e rigorosos e foram objecto de amplo debate. Começo pelo fim: o amplo debate foi um “pseudodebate” em menos de um mês, entre 25 de junho e 23 de julho (atenda-se à calendarização) e não foram criadas quaisquer condições de verdadeiro debate. Em relação à proposta e à versão que foi aprovada, no caso do ensino básico, as alterações foram de pormenor e mínimas. Em relação à exigência, francamente não vejo qualquer exigência em dar feijoada a uma criança de seis meses para que o seu estômago se vá habituando às comidas pesadas da vida... ou qualquer rigor em mudar programas sem avaliação (e avaliação não é referir fortes indícios que não se sabe quais são, nem quem os teve, ou sequer se existem de uma maneira geral); não há rigor sem atender à investigação própria da área (que por muito que seja dito o contrário, não foi feito) e em sentido contrário ao dos países de referência neste âmbito. Rigor e exigência é sermos inflexíveis na busca do que é melhor e mais adequado para a educação das crianças e jovens do nosso país, é utilizarmos todos os meios para lhes proporcionar um ensino que os desafie e entusiasme, que os leve a superar as suas dificuldades mas que não os desespere, que os leve a potenciar as suas melhores capacidades no gosto pelo saber e pela descoberta; que lhes faça experimentar o esforço de uma tarefa com sentido e com futuro e também com prazer. Como temos vindo a chamar a atenção, as Metas Curriculares e programas aprovados nesta legislatura, configuraram um retrocesso que não pensávamos já possível, mostram uma ignorância confrangedora sobre o ensino da Matemática e a realidade das escolas, para além de apontarem para um forte condicionalismo à ação do professor, restringindo e constrangendo fortemente a sua autonomia. Em 2013 sabíamos que o que estes programas e metas arrastariam seria terrível para o ensino da Matemática. Disse-o aqui na altura e recordo: O que está a ser feito no âmbito do ensino da Matemática, a persistir, vai certamente causar, em pouco tempo, inversão nos avanços feitos; vai afastar Portugal dos currículos de matemática dos países com os quais nos queremos comparar, vai minar o entusiasmo dos educadores e dos alunos e voltará a trazer à Matemática escolar aquela imagem cinzenta, formalista, inatingível, incompreensível e segregadora de que muitos ainda se recordam e que a muitos certamente afetou. A petição que hoje aqui nos traz é já sinal de que o que prevíamos se está a verificar: em 2013 conseguimos 2000 assinaturas num mês; esta petição conseguiu mais de 10000 em pouco mais de quinze dias; em 2013, poucos conheciam o que estava em causa; hoje já é experimentado por muitos. Ao longo destes três últimos anos senti-me, com muitos professores, a atravessar um grande deserto; e não, senhoras e senhores deputados, não são os professores que não estão preparados. Estas metas e estes programas é que são desadequados e a fraca formação feita para eles mais não fez que pôr em evidência a falta de sentido dos mesmos. E se esta legislatura está a terminar e já não estará nas vossas mãos mudar algo nesta matéria, independentemente dos resultados das próximas eleições legislativas, todos se devem (todos nos devemos) sentir alertados para esta grave questão. Ouçam os especialistas, ouçam os investigadores, os professores, os pais; ouçam até mesmo muitos dos que inicialmente defendiam estas propostas curriculares. Ouçam-nos, libertos de cumplicidades partidárias ou lealdades circunstanciais. Proponho-vos que, próximos do ano em que o programa de 2013 será generalizado, peçam e promovam uma avaliação séria da implementação deste programa. Será um passo para podermos ir concertando o futuro. Muito obrigada! Lurdes Figueiral presidente da APM 30 de junho de 2015

  2. Actualização #6 1ª Intervenção

    Criado em terça-feira, 30 de Junho de 2015

    Audição na Comissão de Educação, Ciência e Cultura Boa Tarde Ex. mas. Senhoras Deputadas Ex. mos. Senhores Deputados, Agradeço desde já a oportunidade de poder apresentar, perante vós, a Petição para a Alteração das Metas Curriculares do 1º Ciclo. Considero que este é um assunto que a todos interessa uma vez que envolve a Educação, e deverá ser discutido com todo o respeito. Apresento-me hoje aqui como Mãe, mãe de uma menina de 8 anos que frequentou o 2º ano no passado ano letivo, pois foi nessa qualidade que me apercebi da realidade dos novos programas e respetivas metas curriculares, aprovadas pelo Despacho 5306, de 18 de Abril de 2012. Poderão vossas excelências, considerar que não possuo as aptidões e os conhecimentos científicos e pedagógicos adequados para propor estas alterações. Deixem-me concordar, discordando, claramente não é a minha área profissional. Mas possuo o conhecimento prático de acompanhar diariamente o percurso escolar da minha filha, tenho o conhecimento adquirido num percurso escolar próprio desde dos 5 aos 24 anos, sem nunca ter ficado retida, tenho o conhecimento de ter tirado um Bacharel e uma Licenciatura. E ainda bem que tenho essa experiência, pois só assim consigo acompanhar e ajudar a minha filha. Claramente consigo perceber que algo está errado, mas como não sou especialista, tenho a certeza que os pareceres que foram pedidos às várias entidades, como me foi comunicado que iria ser, poderão apontar os problemas mais especificamente e como os resolver, principalmente o da Associação de Professores de Português, assim como o da Associação de Professores de Matemáticas, ambas em campo e acompanhando diligentemente o nosso ensino. Com esta Petição, não pretendo ser desrespeitosa pela equipa que elaborou este programa curricular assim como as suas metas, acredito sinceramente que parecia o ideal para um ensino de excelência em temos teóricos, mas infelizmente por vezes essas situações quando são implementadas na prática, elas não resultam. Com um programa tão extenso, a matéria é dada em velocidade, não sendo possível a consolidação e a apreensão dos conteúdos programáticos como seria adequado. Quando é dada matéria nova de 2 em 2 dias, é necessário haver um trabalho suplementar em casa. Não me interpretem mal, eu sou a favor de trabalhos de casa, mas pequenos trabalhos que ajudem a fazer um resumo da matéria dada e ajudem a perceber como estão os nossos filhos em termos de aprendizagem. Mas rapidamente me apercebi que esses trabalhos serviam de consolidação, que não estava a ser feita onde era devido, na escola, trabalhos que por serem complexos se tornam demorados, tudo porque não existia tempo, pois o programa é para ser cumprido. Pois, e infelizmente, nem todos os pais têm o conhecimento necessário para poderem acompanhar e ajudar os filhos nessa compreensão e nesse aprendizado. Sendo necessário recorrer a ajuda externa, ajuda essa, que só nos dias de hoje se tornou necessárias para crianças de 1º Ciclo, e que tem custos económicos. Estes custos económicos, prejudicam as crianças, cujas famílias não possuem esse poder económico, havendo à partida uma descriminação educacional. Todo este trabalho feito após escola, está a hipotecar o tempo de qualidade familiar, estamos a educar crianças sem tempo para brincarem ou para terem atividades lúdicas, onde ter uma atividade extra-escola se torna uma luta, quando poderiam estar a fazer desporto, a aprender música, ou mesmo a aprender arte, tendo desde cedo um contato importante com cultura. Mas não podem, têm que continuar agarradas às fichas, cansados porque tiveram horas na escola, e porque chegando a casa não estão menos de 2 horas a trabalhar no mesmo, crianças que choram e pedem tempo para serem crianças. Numa altura em que se quer combater o sedentarismo, está-se a promover o ensino de estar sentado, horas e horas, tanto na escola como em casa. Ainda esta semana saiu no Diário de Notícias que o Ministério de Educação e Ciências, quer incentivar os alunos a utilizarem a bicicleta nas deslocações casa-escola para evitar este problema, mas a minha filha mora do outro lado da escola, nós gostaríamos que ela tivesse é tempo para 2 ou 3 dias por semana possa ir à patinagem e à natação, duas atividades de sua escolha e pelas quais nós pais nos sacrificamos para que ela as possa frequentar, queremos que ela tenha infância e vida para além da escola. Acredito que a Educação é um dos pilares fundamentais da nossa sociedade, para mim o ensino primário, como era designado na altura, foi essencial para me motivar e ter gosto em estudar. Foi quando eu adquiri as ferramentas adequadas para encarar o ensino e querer aprender sempre mais. Cada vez que um ano escolar acabava, ficava triste, era uma alegria quando os meus pais compravam os manuais escolares, pois significava mais um ano de aprendizagem. Mas infelizmente com estes conteúdos programáticos assim como estas metas curriculares, as nossas crianças estão a ficar frustradas, desmotivadas, sem gosto por ir à escola, tendo sintomas de ansiedade, depressão e distúrbios de comportamento. Todos estes sinais eu vi refletidos no passado ano letivo, a minha filha que nunca teve notas negativas perguntava-nos constantemente se iria chumbar. Chorava diariamente, nunca houve pressão em casa, sempre fomos a favor de trabalho, e de ela se esforçar, mas sem exigirmos demasiado, mas ela sentia-se mal, porque muitas vezes quando dava matéria nova ainda não tinha apreendido completamente a anterior, e por isso, na cabeça dela essa não apreensão era sua culpa. Pois era um sentimento completamente errado, a culpa está num programa que avança sem respeitar as velocidades de aprendizagem de cada criança. Quando estava uns dias sem fazer um tipo de exercício, algo mais complexo, e não o conseguia resolver corretamente, sentia-se “burra”, uma vez que já o tinha feito bem anteriormente, mais uma vez uma perceção errada, tudo resultava da não consolidação, porque qualquer matéria apreendida fica, e fica para sempre. Segundo Laura Erlander (autora do livro Práticas Pedagógicas Compatíveis com o Cérebro), a Educação das crianças deve implementar práticas pedagógicas compatíveis com o cérebro e a aprendizagem, algo que no acompanhamento do percurso escolar da minha filha não vejo refletido, principalmente no programa de Matemática. Temos que ter em consideração que nesta faixa etária dos 6 aos 10 anos, as capacidades cognitivas, segundo vários psicólogos, vão evoluindo constantemente, por exemplo crianças que têm entre 7 e 8 anos, o caso das crianças que frequentam o 2º ano, conseguem aprender com facilidade todas as matérias que têm que a ver com o concreto, mas não o abstrato, certamente existem exceções mas claramente são a minoria. Esta capacidade do concreto foi bem visível, aquando aprenderam frações, enquanto os exemplos eram palpáveis como uma maçã ao meio ou aos quartos eles conseguiam, mas quando tinham de transpor para um segmento de reta, eles bloqueavam, e mecanizavam, pois era algo abstrato, o cérebro deles não chegava lá, se a reta era de 1 unidade tudo bem mas se fosse de 20, raramente acertavam. Assim como os problemas que obrigavam a um raciocínio duplo e que tinham que realizar mais que uma operação matemática, claramente consegue-se observar a criança a bloquear e o cérebro a não conseguir fazer o clique. Para o ano e com o novo Programa de Português a ser implementados, tenho a certeza que a situação só irá se complicar. Tenho imensa pena que se esteja a hipotecar uma geração inteira, onde só obtém bons resultados quem é muito inteligente, ou tem pais com tempo e conhecimento adequado, ou por fim quem tenha poder económico para ajuda externa. Tenho pena que a minha filha, e se a situação não for revista, futuramente o meu filho, não consigam lembranças agradáveis do 1º ciclo, o que ela reteve até ao momento, foi cansaço e a ideia que o trabalho não compensa, porque por muito que se trabalhe existe pequenos pontos em que o seu pequeno cérebro não consegue lá chegar. Nunca nos podemos esquecer que esta faixa etária é uma esponja, mas todas as esponjas têm o seu limite de absorção. Acredito numa educação de excelência, de que se deve ser exigente, que devemos ensinar desde de cedo métodos de trabalho, mas não acredito numa Educação sem respeito pelos limites e em que tudo é válido. Ninguém quer mais do que eu, uma filha com bons resultados escolares, que se veja que realmente está adquirir conhecimento, uma filha que os olhos brilhem quando falamos na escola, mas o que eu mais quero é uma filha saudável, tanto fisicamente como mentalmente, uma filha que não se sinta menos por causa do que ela não tem culpa, pois todas as crianças são mais que notas, e nem sequer é essa a minha luta, por felizmente fui agraciada com uma filha inteligente e que realmente obtém notas muito aceitáveis, mas que durante todo o ano escolar se sentiu triste e desiludida. Acredito que este programa e estas metas curriculares não sejam só um problema meu, nem da minha filha, nem mesmo da Escola que ela frequenta, uma vez que no dia de hoje a petição para a Alteração das Metas Curriculares do 1º Ciclo têm 11916 assinantes, pessoas de vários pontos do país, de vários enquadramentos sociais, e várias vertentes profissionais. Assinantes esses que deixaram, na minha opinião, comentários muito válidos e que espelham a realidade que se vive nas escolas, convido-vos a irem ao site da Petição e percam alguns minutos a lerem. Seja como for trago aqui alguns que me pareceram bastante pertinentes: - Maria conceição Dias – “ Meu filho tem 7 anos e está no segundo ano, comparando este 2º Ano com o do irmão mais velho que está no 7º , portanto fez o 2º ano há 6 anos, vejo alunos que para além de pouco tempo para brincar, tem um ensino muito puxado para a idade e para o ano em que estão... Mal aprenderam a tabuada e traz em problemas que até para nós é difícil !! É lamentável ver a dificuldade destas crianças”; - Raquel Machado - “Concordo com as alterações das metas curriculares do primeiro ciclo, como terapeuta da fala são inúmeras as dificuldades apresentadas pelas crianças que frequentam o primeiro ciclo, principalmente as que frequentam o primeiro ano. As metas curriculares são excessivas e não dão tempo para que as crianças assimilem o que estão a apreender, as crianças também merecem e precisam de tempo para brincar. BRINCAR faz parte do crescimento das crianças e é através do brincar que adquirem as mais importantes competências, principalmente as sociais!”; - Paula Alexandra Alves Fernandes – “Tenho um filho no 3* ano e sofro imenso ao pensar que o futuro dele está seriamente comprometido à conta destes programas Palermas que só prejudicam a aprendizagem e a formação deles ao nível social porque os professores não têm tempo para criar laços com eles. Além disso tenho 2 filhas no 2 ciclo e nota se perfeitamente as consequências de uma primária mal estruturada em que aquilo que era válido de repente deixa de ser. Por isso sim vamos tentar mudar as coisas.”; - Alberto Nuno Cadete Carrapato – “Totalmente de acordo. Por perceber que a carga escolar administrada ao meu filho no 1º ciclo vi-me na obrigação de ajustar para apenas 1 atividade física semanal. Mantive a natação por razões clínicas e anulei as outras. O desporto, para crianças com limitações e/ou problemas de saúde, é uma atividade fundamental que não só os ajuda a melhorar a sua condição física e psíquica como fortalecem e ajudam a criar defesas para que possam saudavelmente crescer. Neste momento não posso ajudar o meu filho neste propósito. Temos (pai e mãe) de o ajudar efetivamente na realização das exorbitantes quantidades de TPC's que trás diariamente para casa! Felizmente que tanto eu como a minha esposa temos a disponibilidade mental para o fazer...a minha preocupação também se entende para aquelas crianças que, por razões atuais de desmotivação dos pais, desemprego, falta de motivação, depressões, etc, os seus pais não partilham da mesma disponibilidade!!! Essas crianças serão automaticamente excluídas e desintegradas do grande grupo! Temos de ir mais longe e lutar, lutar de forma exaustiva contra estas diretivas governamentais que mais não são pessoas de corações de pedra!”; Sandra Filipa Alexandre Pereira - “Sou Psicóloga, trabalho com crianças com necessidades educativas especiais e este ano letivo 2014/2015, a minha filha entrou no primeiro ciclo. Há muito tempo que discuto com colegas de trabalho (técnicos e professores), vou a formações e ainda nada me fez mudar de opinião relativamente ao nosso sistema de ensino. A primária é a base, mas na base não podem só constar conteúdos e matéria. E o espaço para brincar, para construir afetos?? Para ser criança!! Aprendi tanto nas manhãs livres que tinha na primária (só tinha aulas de tarde), em que corria a minha vila de bicicleta e ia aos bairros onde moravam os meus amigos. Aprendi tanto sobre os outros, que há tempo para tudo. Hoje sinto que a minha filha quase não tem tempo para brincar... Ela própria diz: Já é domingo mãe?? O fim de semana passa tão depressa!! (No meu tempo os dias demoravam a passar). Hoje estudasse a inteligência Emocional, muito importante em quase todas as vertentes da vida.... Há espaço para ela?? Cada criança tem o seu ritmo, estamos a dar espaço às nossas crianças para crescerem ao seu ritmo? Algo vai ter de mudar!!!”. Espero que por tudo o que foi exposto tenham em consideração os objetivos da Petição: • as metas curriculares para o 1º ciclo sejam reavaliadas em conjunto com os programas curriculares; • e sejam devidamente alteradas em concordância com o desenvolvimento mental e cognitivo com a faixa etária em causa. Muito Obrigado Vânia Azinheira 30 de Junho de 2015

  3. Actualização #5 Audição na Comissão de Educação, Ciências e Cultur

    Criado em terça-feira, 30 de Junho de 2015

    Hoje foi a audição na Comissão de Educação, Ciências e Cultura, para defender a Petição para a Alteração das Metas Curriculares do 1º Ciclo. Fui acompanhado pelo pai Filipe Ricardo, pela mãe Sandra Cunha e pela Professora Lurdes Figueiral, presidente da Associação de Professores de Matemática. Fomos muito bem recebidos, e tivemos direito a 2 intervenções de 10 min cada. A primeira intervenção foi feita por mim, depois um deputado de cada partido político interveio 3 min cada. A intervenção final ficou a cargo da Professora Lurdes Figueiral. Saímos convictos que fomos ouvidos, e existiram partidos que prometeram acompanhar a causa. e outros apesar de defenderem as metas não fecharam as portas completamente. O próximo passo passará por existir um relatório elaborado pelo Sr deputado Luís Fazenda do BE. desta audição e passará a ser discutida em plenário numa data posterior. Para quem estiver interessado deixarei as duas intervenções em post distintos e qdo a gravação da audição estiver disponível a colocarei aqui. http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheAudicao.aspx?bid=100552 http://media.parlamento.pt/site/XIILEG/4SL/COM/08-CECC/CECC_20150630_3.mp3

  4. Actualização #4 Seguimento da petição

    Criado em segunda-feira, 1 de Junho de 2015

    A Petição já seguiu para a Assembleia da República e posteriormente para a Comissão Parlamentar. Fica-se a aguardar a resposta.

  5. Actualização #3 Página do Facebook

    Criado em sábado, 25 de Abril de 2015

    Existe uma página no Facebook, podem tb lá deixar os vossos comentários. e opiniões. https://www.facebook.com/pages/Altera%C3%A7%C3%A3o-das-Metas-Curriculares-do-1%C2%BA-Ciclo/372318876309396

  6. Actualização #2 Assinatura com o nome completo

    Criado em terça-feira, 21 de Abril de 2015

    Pedia a atenção de todos os peticionários que tivessem o cuidado de assinar com o nome completo, uma vez que é necessário para tornarmos esta petição válida, e sermos recebidos pelos Orgãos Políticos Adequados,

  7. Actualização #1 Carta Aberta

    Criado em sábado, 18 de Abril de 2015

    Boa Tarde, Chamo-me Vânia Azinheira, e á semelhança de outros pais e mães de Portugal, tenho uma filha a frequentar o 2º Ano na EB1/JI de S. Domingos do Agrupamento Alexandre Herculano de Santarém. Como mãe tenho seguido atentamente o percurso escolar da minha filha, e foi com alguma surpresa que me apercebi do extenso programa curricular do 2ºAno e suas metas curriculares completamente desadequadas ao interesse das crianças. No meu ponto de vista estas metas curriculares, que foram aprovadas no despacho n.º 5306/2012, de 18 de Abril de 2012, são uma atrocidade cometida contra os direitos das nossas crianças. Verifico que o conteúdo programático ao invés de estar a ser leccionado a um ritmo adequado aos alunos, esta a ser “debitado a alta velocidade” para que se atinjam os objectivos programáticos, e sem qualquer preocupação para com a apreensão e consolidação dos conhecimentos que devem ser adquiridos. Estamos a falar de crianças com idades entre os 6-10 anos, e não máquinas. Crianças que cumprem além de um horário escolar extenso, trazem para casa trabalhos escolares extra, que lhe ocupam o resto do serão e o tempo lúdico em família. As actividades extraescola ou de lazer, que lhes dão prazer e também são importantes para o seu desenvolvimento físico, social e cognitivo ficam comprometidas. As crianças de hoje serão os jovens do futuro, futuro esse que vejo seriamente comprometido, futuro esse onde a frustração irá reinar, porque a não obtenção de resultados irá comprometer jovens que terão um futuro escolar promissor completamente arruinado. Eu não quero a minha filha nesse leque de jovens; quero que a minha filha tenha gosto em aprender, em descobrir o mundo e que a sociedade a veja como um ser pensante, que se questiona, que levanta questões e não uma máquina de aquisição de dados para fins estatísticos, de ranking de escolas, por exemplo. É no ensino do 1º ciclo que as nossas crianças vão adquirir as ferramentas necessárias, à vontade de estudar, de ir à escola e conseguir os melhores resultados, e com estas metas está-se a minar toda essa aprendizagem. Acho que deveria ser do conhecimento de toda a população que este programas foram proposto por um grupo de professores Universitários, secundário, não havendo um único professor de ensino básico do 1º ciclo, esses sim com conhecimento teórico e prático da realidades das nossas crianças, para poderem realizar um programa adequado e funcional. Por todos estes motivos e porque acho que vale a pena lutar pela Educação das nossas crianças, eu acho que estas metas têm que ser alteradas. Sou a proponente de uma petição pública com esse sentido, se pensam do mesmo modo, assinem, e partilhem com o máximo de pessoas, vamos quebrar o silêncio, vamos dar voz às nossas crianças. http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT76773 Desde já agradeço a vossa colaboração no sentido de divulgarem esta petição. Atentamente Vânia Azinheira Seguem em anexos as metas curriculares do 1º ciclo




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A actual petição encontra-se alojada no site Petição Publica que disponibiliza um serviço público gratuito para todos os Portugueses apoiarem as causas em que acreditam e criarem petições online. Caso tenha alguma questão ou sugestão para o autor da Petição poderá fazê-lo através do seguinte link Contactar Autor
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