Petição Pública
A Ponte de Arame entre Monteiros e Veral deve continuar a unir as duas aldeias

Assinaram a petição 270 pessoas
Os cidadãos signatários, de acordo com o "Direito de Petição" (ponto 1 do artigo 52º da Constituição da República Portuguesa), exigem, por este meio, que a projectada relocalização da Ponte de Arame que une as aldeias de Monteiros e Veral seja feita num lugar, a acordar com os representantes do poder local, em que a ligação histórica e antropológica entre as duas populações se mantenha.

A Ponte de Arame, construída inicialmente toda em madeira com o trabalho do povo das aldeias de Monteiros e Veral, vai ser impactada pela construção do empreendimento hidroelétrico do Alto Tâmega. A Iberdrola, a empresa concessionária, vai retirá-la antes da subida das águas, mas ainda não há uma proposta oficial para a relocalização.
Em Sessão Pública, no início deste ano de 2015, foi admitida a possibilidade da ponte ser transportada para outro rio, num sítio distante, para servir outras povoações. A hipótese é liminarmente recusada pelas populações locais.

A Ponte de Arame é fulcral na história das aldeias que une e a data da sua construção está muito longe no tempo. Em 1936 caiu e foi remodelada, já com ajuda do poder local. Com cerca de 30 metros, faz a ligação pedonal das localidades de Monteiros, no concelho de Vila Pouca de Aguiar e Veral, no concelho de Boticas. Ao longo dos anos, estreitaram-se as trocas e os laços afectivos entre o povo das duas aldeias – o gado, a fruta, o vinho, a madeira, as festas religiosas e até os namoros, tudo circulava entre os habitantes de Monteiros e Veral. Em 1981, esta ponte pênsil, uma obra de engenharia hoje já rara em Portugal, foi objecto de obras de manutenção, igualmente realizadas com o auxílio de ambas as populações. Após o incêndio de 2007 foram efectuados restauros, com o apoio dos municípios a que pertencem as duas aldeias.

A Ponte de Arame está incluída na listagem de património local a preservar e é objecto do afecto dos habitantes locais, mas igualmente da população oriunda daqueles sítios transmontanos que, embora espalhada pelo mundo, acompanha com a mesma emoção o destino desta construção comunitária que aproximou as duas aldeias e tem vindo a tornar-se motivo de atracção turística. A admiração das gentes originárias das aldeias de Monteiros e de Veral tem contribuído para a divulgação da Ponte de Arame, que muitos comparam à mítica ponte do célebre filme de Indiana Jones.

“A Ponte não pode ir para longe! É património das povoações que reuniram a madeira e a fizeram”, assim o entende com boas razões o povo das duas aldeias. É unindo-as que a Ponte mantém a sua razão de ser e a sua identidade; não faz sentido noutro lugar. A relocalização da Ponte de Arame só deve ser feita desde que se mantenha como ligação entre as aldeias de Monteiros e Veral. É esta a exigência dos cidadãos subscritores desta petição.

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