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Carta Aberta à Reitora da Universidade de Évora

Para: Alunos, Professores, e Comunidade no Geral

Exma. Sr.ª Dra. Ana Costa Freitas,

Tendo em conta o Comunicado datado de 1 de outubro de 2018, dirigido ao Conselho de Notáveis desta que é a Muy Nobre e Illustre Universidade de Évora, venho por este meio partilhar consigo, e com a sociedade em geral a minha visão crítica desse mesmo comunicado.

Começo, exatamente pelo início da comunicação referida em epígrafe, onde é dito, e passo a citar:
"Na sequência do vídeo que desde dia 25 circula nas redes sociais que já foi notícia quer no Jornal Público no dia 28, quer na SIC-noticias hoje dia 1".
Caríssima Reitora, tendo em conta que vivemos num mundo conectado e social, em que a viralização de qualquer conteúdo que seja partilhado de forma sensacionalista é garantido, seria de contar que a qualquer jornal ou emissora se fizesse usar do vídeo para obter visualizações.
Além disso o vídeo em questão terá sido captado e publicado sem autorização dos intervenientes, que torna esta mesma utilização uma ilegalidade.
Informo que tanto quanto é do meu conhecimento, até ao momento, os intervenientes são todos alunos ou alumni da Universidade de Évora, e que sobre a utilização ilegal das imagens destes alunos, não foi emitido qualquer comunicado por parte da Reitoria a qualquer um desses órgãos de comunicação social, a desaprovar a utilização de conteúdo ilegal onde se encontram estes que são também seus alunos, de forma direta ou indireta.

Aqui forma-se uma reflexão: Estará a Exma. Sr.ª Dra. realmente preocupada com a situação dos alunos em questão, ou apenas com a comunicação social e com o poder destes na imagem da Universidade de Évora?
Porque se a preocupação estivesse centralizada com o acompanhamento dos atos de praxe, e a garantia de segurança destes que são alunos recém-chegados à Nossa Muy Illustre Universidade, a atitude não teria sido de repreensão, como foi esta de que teve.

Continuando no mesmo comunicado, é dito "Não só os estudantes do 3º ano continuam a demonstrar uma total ausência de sensibilidade e maturidade durante a praxe, como também a completa impossibilidade do Conselho de Notáveis de acompanhar e controlar a praxe na cidade."
Caríssima Reitora, tendo em conta que o Conselho de Notáveis é efetivamente uma organização que promete manter a segurança e ordem em todos os momentos no que se diz respeito à Tradição Académica, não é uma organização infalível.
A missão de manter a segurança e ordem, é também uma missão de todos e quaisquer corpos policiais e forças de segurança, e todas estas são organizações falíveis.
O Conselho de Notáveis, assegura tanto quanto possível estes mesmo valores, no entanto a uma escala menor, tanto em número, como em recursos. Valorize-se ainda que sendo uma organização apoiada apenas e unicamente no voluntariado, não consegue controlar tudo o que se passa na cidade.
A Universidade de Évora conta com mais de 30 cursos e mais de 10 mil alunos, e criticar negativamente o Conselho de Notáveis por não conseguir estar em todo o lado, em todo o momento onde se estejam a realizar os atos de praxe, parece-me apenas despropositado, e insensato.

Onde se diz "Apesar de compreender os constrangimentos, e dificuldades do C. de Notáveis e apesar de apreciar a honestidade e sentido de responsabilidade que têm demonstrado, considero que não é possível deixar passar este episódio sem consequências."
Caríssima Reitora, tendo em conta este excerto, só me surge uma questão: Porquê?
E esta questão pode ser desdobrada em várias, como: Porque é que não pode passar sem consequências? Porque é que existe necessidade de repreender aquilo que é um resultado dos organismos de comunicação social sensacionalistas? Porque é que existe uma necessidade de criar um atrito entre a Tradição Académica e a Reitoria? Porque é que não pode ser visto como uma perpetuação da Tradição de Praxe?

Diga-me, todo este "não pode passar sem consequências" é apenas uma forma de mostrar aos mesmos órgãos de comunicação social que está a agir?

No ponto 4. da regulamentação que vem no referido Comunicado, diz: “Quaisquer alterações desta decisão implicará o fim imediato destas sessões no claustro da Universidade."
Caríssima Reitora, a ameaça de que terminará com as Aulas de Praxe no Claustro da Universidade, faz-me refletir sobre toda a Tradição Académica, a que vivi, e a que espero viver.
Resumo-me apenas com um pedido: Nunca faça isso.
A Universidade de Évora, é para mim, e falo por todos estes milhares de alunos, um sinónimo de Prestígio, mas também de Tradição.
Somos a 2ª Universidade mais antiga de Portugal. Carregamos história. Carregamos tradição.
Tirar os Claustros da Universidade de Évora no momento em que os recém-chegados escolhem os seus padrinhos, é equiparável a tirar o Templo Romano a Évora. Equiparável a tirar a adrenalina do seu corpo. Equiparável a tirar-lhe a si, toda a sua alma.
O momento da escolha do Padrinho, é para muitos, a primeira vez em que entram nos claustros. E o facto de assim ser, inspira em muitos o sentimento de pertença, e a singularidade daquele momento.

Inicio a minha despedida com o meu testemunho de quando fui Bicho, e que à semelhança de muitos, quase todos, sinto que por cada momento, voltava atrás. Mesmo quando as costas já doem de estar de prancha. Mesmo quando o pescoço já dói de tanto olhar para baixo. E até mesmo quando a voz já sai rouca de tanto gritar o como admiro o meu curso, e a nossa Muy Illustre Universidade. E ainda assim, se pudesse recuar no tempo, faria tudo igual.

Termino apenas com mais um pedido, afinal de contas isto apesar de uma carta aberta é também uma petição.
Peço-lhe que reconsidere todas as decisões que estiver para tomar numa tentativa de conter de alguma forma a atividade de praxe.
A praxe vai sempre continuar, quer queira quer não.

E neste sentido, solicito-lhe eu, e todos os assinantes desta petição:
Solicitamos-lhe que se junte a nós, que faça parte da comunidade maioritária da Universidade de Évora, a comunidade que se sente prestigiada por envergar o traje, por praxar e ser praxado.
A comunidade que quer ver a Reitora como uma de nós, e não como alguém que reprime a Tradição.
A comunidade que quer sentir o apoio da Reitoria.
A comunidade UÉ.

Estamos à sua espera.

A UÉ É NOSSA!

[SEGUE EM ANEXO O COMUNICADO A QUE ESTA PETIÇAO SE REFERE]



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